O dízimo,
as primícias, as ofertas alçadas e as esmolas (ou doações) são práticas
bíblicas que envolvem contribuição financeira ou material como expressão de
obediência, gratidão, generosidade e amor ao próximo. Vamos entender cada uma
delas:
1. Dízimo
Definição: O dízimo
é a devolução de 10% de tudo o que recebemos ao Senhor, reconhecendo que tudo
pertence a Deus.
Base Bíblica:
- Antigo Testamento:
- Gênesis 14:18-20: Abraão entregou o dízimo a Melquisedeque.
- Levítico 27:30: "Todos os dízimos da terra... são do Senhor; santos são ao Senhor."
- Malaquias 3:10: Deus promete bênçãos ao fiel que entrega o dízimo.
- Novo Testamento:
- Mateus 23:23: Jesus reafirma o dízimo, mas destaca que ele deve vir acompanhado de justiça, misericórdia e fé.
Propósito: Sustento da obra de Deus, dos sacerdotes (no Antigo Testamento), e da igreja no Novo Testamento.
2. Primícias
Definição: As
primícias representam as "primeiras partes" ou "primeiros
frutos" da colheita, do trabalho ou da renda, consagradas a Deus em sinal
de reconhecimento e gratidão.
Base Bíblica:
- Êxodo 23:19: "As primícias dos frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus."
- Provérbios 3:9-10: "Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda."
Propósito: Reconhecer a soberania de Deus sobre todas as coisas e confiar n'Ele como o provedor. Ainda que a prática agrícola não seja mais comum, o princípio permanece ao separar a "primeira parte" de nossa renda.
3. Ofertas Alçadas
Definição: São
ofertas voluntárias entregues além do dízimo, com o objetivo de atender a
necessidades específicas ou projetos na obra de Deus.
Base Bíblica:
- Êxodo 35:5-29: O povo de Israel trouxe ofertas alçadas para a construção do Tabernáculo.
- 2 Coríntios 9:7: "Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."
Propósito: Demonstrar generosidade e participar de projetos específicos do Reino, como missões, construções e ações sociais.
4. Esmolas ou Doações
Definição: Doações
destinadas a ajudar os pobres, necessitados e marginalizados. É um ato de amor
e misericórdia.
Base Bíblica:
- Provérbios 19:17: "Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta, e este lhe paga o seu benefício."
- Mateus 6:3-4: Jesus orienta que as esmolas sejam dadas em segredo.
- Atos 10:4: Cornélio foi reconhecido por suas orações e esmolas.
Propósito: Ajudar aqueles em necessidade, refletindo o amor e a compaixão de Deus.
Diferenças e Aplicações
Prática
Propósito
Base Bíblica
Dízimo
Sustento da obra de Deus e da liderança espiritual.
Malaquias 3:10; Mateus 23:23
Primícias
Honra a Deus com o primeiro de tudo o que recebemos.
Provérbios 3:9-10; Êxodo 23:19
Ofertas Alçadas
Participação em projetos específicos do Reino.
2 Coríntios 9:7; Êxodo 35:29
Esmolas
Ajuda direta aos necessitados, como expressão de compaixão.
Mateus 6:3-4; Provérbios 19:17
Conclusão
Essas
práticas são maneiras de expressar gratidão a Deus, reconhecer Sua soberania,
sustentar a obra d'Ele e demonstrar amor ao próximo. No entanto, a Bíblia
ensina que mais importante do que a quantidade ou forma de dar é a intenção
do coração. Paulo nos lembra:
"Se eu distribuir todos os meus bens entre os pobres, mas não tiver
amor, nada disso me aproveitará." (1 Coríntios 13:3).
Dar deve ser uma expressão de fé, amor e obediência a Deus, sempre feito com alegria e gratidão!
O dízimo no Novo Testamento é um tema que suscita debates entre cristãos, pois, ao contrário do Antigo Testamento, ele não é tratado de forma normativa ou como um mandamento explícito. Vamos examinar a questão sob três perspectivas: a prática do dízimo no Novo Testamento, sua obrigatoriedade e a relação entre dízimo, fé e obediência a Deus.
1. O Dízimo no Novo Testamento
Embora o dízimo seja mencionado no Novo Testamento, ele aparece em contextos específicos e não como uma imposição direta para os cristãos:
- Mateus
23:23 e Lucas 11:42: Jesus critica os
fariseus por pagarem dízimos minuciosos (como de hortelã, endro e cominho),
mas negligenciarem questões mais importantes da lei, como justiça,
misericórdia e fé. Ele diz:
"Estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas."
Aqui, Jesus reconhece a prática do dízimo, mas ressalta que a verdadeira obediência vai além de atos externos e envolve o coração. - Hebreus 7:1-10: Este texto menciona Abraão dando o dízimo a Melquisedeque, como forma de honrá-lo. Essa referência aponta para a superioridade de Melquisedeque como tipo de Cristo, mas não estabelece o dízimo como um mandamento para os cristãos.
A
principal mensagem do Novo Testamento em relação às contribuições é a
generosidade voluntária e motivada pelo amor, como em 2 Coríntios 9:7:
"Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza
ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."
2. O Dízimo é Obrigatório no Novo Testamento?
Não há uma ordem clara no Novo Testamento que obrigue os cristãos a dar o dízimo. Em vez disso, a ênfase está em:
- Dar
voluntariamente:
Os cristãos são incentivados a contribuir conforme a prosperidade e capacidade de cada um (1 Coríntios 16:2). - Dar
com generosidade e coração grato:
A motivação deve ser o amor a Deus e ao próximo, não a obrigação (2 Coríntios 8:12; 2 Coríntios 9:6-7).
Portanto, no Novo Testamento, o dízimo como prática obrigatória, associada à lei mosaica, não é imposto. A ênfase está na graça e no espírito de generosidade, mais do que na observância de um percentual fixo.
3. O Dízimo e a Fé: Fere a Deus Não Dar?
A questão de "ferir a Deus" por não dar o dízimo deve ser entendida em termos de relacionamento com Ele e obediência aos Seus princípios:
- Deus
se importa mais com o coração do que com o ato em si:
O Senhor não deseja ofertas feitas por obrigação ou medo, mas sim como expressão de amor e gratidão (1 Samuel 15:22; Oséias 6:6). Dar sem alegria ou fé não tem valor espiritual. - Generosidade
como fruto da fé:
A contribuição, seja dízimo ou oferta, demonstra que confiamos em Deus como nosso provedor. Não dar o dízimo em si não fere a Deus, mas a falta de generosidade pode ser um sinal de que não estamos colocando nossa fé n'Ele. - Romanos
14:23: "Tudo o que não provém de fé é
pecado."
Se uma pessoa sente que deve dar o dízimo como uma expressão de fé, mas não o faz, pode estar agindo contra sua consciência. Por outro lado, se ela entende que o dízimo não é obrigatório, mas ainda assim é generosa, não está em falta.
Conclusão
No Novo Testamento, o dízimo não é apresentado como uma obrigação legal, mas a prática da generosidade é incentivada. A ênfase está em dar com amor, voluntariedade e gratidão. Deus valoriza mais a atitude do coração do que o ato em si.
Se alguém não dá o dízimo, isso não significa automaticamente que está ferindo a Deus, desde que a pessoa viva em obediência, generosidade e fé. Por outro lado, deixar de contribuir por avareza ou falta de confiança em Deus pode ser um sinal de um coração que ainda precisa ser transformado.
O princípio final é este: não se trata de uma regra obrigatória, mas de uma oportunidade de honrar a Deus e demonstrar nossa confiança n'Ele.
Deus te abençoe sempre em tudo por sua generisidade!
